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Quem já passou dos 60 e vai viajar para fora do Brasil logo descobre que o seguro viagem para idosos traz perguntas próprias. Até que idade dá para contratar? A pressão alta, o diabetes ou a cirurgia no joelho entram na cobertura? Os 30 mil euros que a Europa pede são suficientes? E o seguro que vem com o cartão de crédito serve?
Este guia responde a cada uma dessas dúvidas com o que dizem a SUSEP (o órgão do governo que fiscaliza os seguros), o Itamaraty e o Ministério da Saúde, e com o olhar de quem cuida de viajantes 50+ desde 2021. No fim, há um checklist e uma parte para os filhos que contratam o seguro dos pais.
Seguro viagem é obrigatório para idosos?
A idade não muda a regra: quem decide se o seguro é exigido é o país de destino. Na Europa do Espaço Schengen, ele pode ser pedido na imigração, com cobertura mínima de 30 mil euros. Mesmo onde ninguém pede, o Itamaraty recomenda contratar antes de cada viagem.
O motivo vale para qualquer idade, mas pesa mais depois dos 60. O Itamaraty recomenda que o brasileiro sempre contrate um seguro saúde internacional, mesmo quando o país não exige, e avisa que não pode se responsabilizar por despesas médicas no exterior. Na página sobre a viagem ao Reino Unido, lembra ainda que o turista brasileiro não tem a assistência gratuita do sistema público britânico, só o atendimento de emergência, e que, sem seguro, o funeral e o traslado ficam por conta da família.
E os valores lá fora são altos. O CDC, órgão de saúde do governo dos Estados Unidos, informa que uma remoção aérea com equipe médica custa de 25 mil dólares, em trajetos dentro da América do Norte, a mais de 250 mil dólares, nos lugares mais distantes. O mesmo guia diz que apólices específicas podem ser especialmente úteis para quem tem mais de 65 anos ou alguma doença preexistente.
Europa: o que são os 30 mil euros do Espaço Schengen
O brasileiro não precisa de visto para passear até 90 dias pelos países do Espaço Schengen (Portugal, Espanha, França, Itália e a maior parte da Europa continental). Mas, segundo o consulado do Brasil em Amsterdã, a imigração pode pedir a comprovação de um seguro saúde de no mínimo 30 mil euros, válido em todo o Espaço Schengen.
O consulado em Marselha detalha o que esse seguro precisa cobrir na França: despesas médicas e hospitalares durante toda a estada, a repatriação por motivo médico e as despesas em caso de morte. Os 30 mil euros são o mínimo para entrar, não um teto: quem tem doença crônica pode preferir um valor maior. Confira três pontos:
- O valor de despesas médicas é de pelo menos 30 mil euros (ou o equivalente em dólares, com folga para o câmbio).
- A validade cobre todos os dias, do embarque no Brasil até o desembarque na volta, inclusive os dias de voo.
- Todos os países do roteiro aparecem na apólice, inclusive os de conexão e os que ficam fora do Schengen, como a Inglaterra e a Turquia.

Turquia, Egito, Marrocos e outros destinos
Fora da Europa, a exigência muda de país para país e pode mudar sem muito aviso. Na Turquia, o Ministério das Relações Exteriores turco informa que o brasileiro não precisa de visto para até 90 dias, e a página não inclui o seguro entre as exigências. Mesmo assim, não vá sem ele: o Itamaraty recomenda o seguro também onde a imigração não pede.
Para o Egito, o Marrocos, os Emirados e os outros destinos, a Mil Voos confere a regra de entrada de cada país na hora da reserva. Se você vai à Turquia e ainda tem dúvidas sobre a viagem, veja também o que dizemos sobre a segurança na Turquia.
Até que idade dá para contratar seguro viagem?
Não existe uma idade-limite única definida em lei: cada seguradora decide até que idade aceita o viajante e quanto cobra em cada faixa. O preço sobe com a idade, e nas faixas mais altas algumas apólices mudam as condições. Por isso, quanto mais velho o viajante, mais cedo vale a pena cotar.
Há apólices para quem tem 70 ou 80 anos, e algumas aceitam viajantes ainda mais velhos, mas a resposta certa depende de cada uma. A tabela mostra o que conferir com mais atenção em cada faixa:
| Idade do viajante | O que conferir com mais atenção |
|---|---|
| De 60 a 69 anos | Declaração de saúde completa e verdadeira, e o valor de despesas médicas certo para o destino (na Europa, pelo menos 30 mil euros). |
| De 70 a 79 anos | Se o valor de despesas médicas e o de regresso sanitário continuam os mesmos da faixa anterior, e se há cobertura para um acompanhante em caso de internação. |
| A partir de 80 anos | Se a apólice aceita a idade na data da viagem, qual é o valor máximo disponível e se a seguradora pede algum relatório médico. Cotar logo que a viagem for decidida. |
| Qualquer idade com doença crônica | Como a apólice trata a crise de doença preexistente e se alguma doença declarada ficou fora da cobertura (ela precisa estar escrita na apólice). |
Se o aniversário cai perto da viagem, confira se vale a idade na contratação ou no embarque: a mudança de faixa pode alterar o preço ou as condições.
Seguro viagem cobre doença preexistente?
Em viagem internacional, sim, para a crise. Pela regra da SUSEP em vigor em outubro de 2026, o seguro precisa cobrir a crise de uma doença preexistente ou crônica que vire urgência ou emergência, até estabilizar o quadro, para que você continue a viagem ou volte para casa. O tratamento de rotina da doença não entra.
A regra está na Circular SUSEP nº 667, de 2022, que organiza os seguros de pessoas no Brasil. Ela vale até o limite contratado para despesas médicas e define os dois casos:
- Emergência: quando há risco de morte e o atendimento precisa ser imediato. Exemplo: uma dor no peito em quem tem problema cardíaco.
- Urgência: quando você precisa de atendimento, mas sem risco de morte, e pode esperar os casos de emergência. Exemplo: uma queda com suspeita de fratura no punho.
O seguro viagem existe para o imprevisto: acidente ou doença súbita e aguda durante a viagem. Consulta de rotina, exames de controle e receita nova do remédio de uso contínuo não são o papel dele. Os remédios de todos os dias vão com você, em quantidade para a viagem inteira. Veja como levá-los no nosso guia de remédios na bagagem de mão em viagem internacional.
Declare tudo na proposta, mesmo o que parece pequeno
Muitas seguradoras pedem uma declaração de saúde na contratação. Pela mesma circular, a doença que você conhece e declara não pode ser excluída da cobertura, a não ser por acordo expresso, com a doença escrita na apólice. A doença que você não conhecia também não pode ser excluída. E, se a seguradora não pedir a declaração, ela não pode excluir doença preexistente.
O risco está em omitir. Pressão alta, diabetes, uma cirurgia recente ou um marca-passo: escreva tudo, com sinceridade. Antes de assinar, leia a lista de exclusões da apólice e confira se alguma doença sua aparece nela. Se aparecer, resolva isso antes da viagem, e não no hospital.
O que conferir no seguro viagem antes de contratar
Pela regra da SUSEP, o seguro viagem internacional precisa ter, no mínimo, a cobertura de despesas médicas, hospitalares e odontológicas. As outras dependem do plano escolhido, e é nelas que um seguro bom para quem tem 60+ se separa de um seguro barato. Veja o que cada uma faz:
| Cobertura | O que paga | Por que importa depois dos 60 |
|---|---|---|
| Despesas médicas, hospitalares e odontológicas | Consulta, exame, internação e cirurgia por acidente ou doença súbita na viagem | É a base de tudo. Na Europa, o mínimo é 30 mil euros; para Estados Unidos e destinos distantes, vale pensar em mais. |
| Traslado médico (remoção) | O transporte até o hospital mais próximo que possa atender, inclusive de um hospital para outro | Em cidade pequena ou passeio afastado, o hospital certo pode estar longe. |
| Regresso sanitário | A volta ao Brasil com acompanhamento médico, quando você não pode viajar como passageiro comum | Segundo o CDC, uma remoção aérea com equipe médica pode passar de 250 mil dólares. |
| Traslado de corpo | A liberação e o transporte do corpo até a cidade do sepultamento | Sem ela, a família arca com tudo. |
| Acompanhante e regresso antecipado | Conforme a apólice, a viagem e a hospedagem de um familiar em caso de internação longa, e a volta antes da data por um evento coberto | Quem viaja com o cônjuge ou sozinho precisa saber quem fica ao lado em caso de internação. |
| Cancelamento de viagem | As despesas que não são devolvidas, se um evento coberto impedir a viagem | Protege o investimento se uma doença aparecer antes do embarque. |
| Bagagem | Extravio, roubo ou dano da mala despachada, conforme as regras da apólice | Ajuda a repor roupas e itens básicos; os remédios devem ir sempre na bagagem de mão. |
Além das coberturas, confira como o atendimento funciona na prática:
- Central de atendimento 24 horas, em português, com telefone e WhatsApp, para você não depender do inglês num momento de aperto.
- Rede indicada ou reembolso. Algumas apólices só pagam direto nos hospitais da rede da seguradora. Pela regra da SUSEP, mesmo nesse caso, numa emergência você pode ser atendido fora da rede e pedir o reembolso das despesas até estabilizar o quadro.
- Viagem de navio. Em cruzeiro, confira se a apólice cobre o atendimento a bordo e nos portos. Se o seu sonho é um cruzeiro de rio, veja a comparação entre os cruzeiros pelo Reno e pelo Danúbio.
- Certificado em inglês ou espanhol, com o seu nome igual ao do passaporte, as datas e o valor de cobertura, para mostrar na imigração.
Plano de saúde, cartão de crédito ou CDAM substituem o seguro viagem?
Na maioria dos casos, não. O plano de saúde costuma cobrir só no Brasil, o seguro do cartão tem condições que nem sempre servem para quem tem 60+, e o CDAM vale só em três países e só na rede pública. Cada um pode ajudar, mas nenhum faz tudo o que o seguro viagem faz.
Plano de saúde
A ANS, que regula os planos de saúde, orienta conferir no contrato a área de cobertura do plano: nacional, estadual, de um grupo de estados ou de municípios. Atendimento no exterior só vale se estiver escrito no contrato. Mesmo quando o plano cobre fora do país, pergunte à operadora se ele inclui a volta ao Brasil com equipe médica e se emite o documento que a imigração europeia pode pedir.
Seguro do cartão de crédito
Alguns cartões oferecem seguro viagem como benefício, geralmente quando a passagem é paga com ele. Antes de contar com isso, leia as condições do benefício:
- se existe limite de idade para o titular e para quem viaja junto;
- se o valor de despesas médicas chega aos 30 mil euros exigidos na Europa;
- como fica a crise de doença preexistente e o regresso sanitário;
- se é preciso emitir um certificado antes de viajar, e em que língua ele sai.
CDAM: atendimento na rede pública de Portugal, Itália e Cabo Verde
Vale muito para quem vai a Portugal ou à Itália. O Certificado de Direito à Assistência Médica (CDAM), do Ministério da Saúde, nasce de acordos do Brasil com esses países e permite ser atendido na rede pública deles como os cidadãos locais. Em Portugal, ele é conhecido como PB4.
O pedido é feito pela internet, no portal de serviços do governo federal. Para Portugal, o brasileiro apresenta RG, CPF, passaporte e comprovante de residência no Brasil. Para a Itália e Cabo Verde, também é preciso comprovar o vínculo com o INSS, o que inclui quem é aposentado pelo INSS.
O CDAM é um ótimo complemento, mas não substitui o seguro viagem. Ele vale só na rede pública desses três países, não paga a volta ao Brasil com equipe médica nem o traslado, e não cobre os outros países do roteiro, como a Espanha ou a França.
Quanto custa o seguro viagem para idosos?
Depende de quatro fatores: a idade do viajante, o número de dias, o destino e o valor das coberturas. Depois dos 60, a idade é o que mais pesa no preço. Por isso, não há valor fixo que sirva para todo mundo, e a cotação é feita com os dados da sua viagem.
Na hora de comparar, olhe primeiro o que está coberto e só depois o preço. Um seguro barato sem regresso sanitário, ou com exclusões que atingem a sua saúde, sai caro justamente quando você precisa dele.
Se quiser a cobertura de cancelamento, contrate o seguro logo depois de fechar a viagem: ela existe para os imprevistos que acontecem antes do embarque. Na Mil Voos, você contrata o seguro viagem junto com a viagem, pelo WhatsApp, e a Amanda tira as suas dúvidas antes de você decidir.
Como usar o seguro viagem se precisar de médico
Ligue para a central do seguro antes de ir ao médico: ela indica o lugar certo e autoriza o atendimento. Numa emergência, com risco de morte, vá direto ao hospital mais próximo e avise a seguradora assim que puder.
- Tenha o número da central à mão: salvo no celular, anotado num papel na carteira e com quem viaja ao seu lado.
- Explique o que sente e informe as doenças e os remédios que você usa. Um cartão com essas informações em inglês ajuda muito.
- Esteja pronto para pagar e pedir reembolso. O CDC avisa que, em alguns lugares, o hospital cobra na hora e o seguro devolve depois. Leve um cartão de crédito com limite para imprevistos.
- Guarde tudo: relatório médico, receitas, notas fiscais e comprovantes de pagamento. Tire foto de cada papel no mesmo dia.
- Peça o reembolso dentro do prazo da apólice, com os documentos que a seguradora pedir.
Quem viaja com a Mil Voos não está sozinho nessa hora: o suporte da agência vai de antes do embarque até depois da volta. Nas viagens em grupo com guia, um guia local acompanha o grupo nos passeios e, nos pacotes com guia acompanhante, ele sai do Brasil junto com o grupo. Veja como funciona no nosso guia de viagens internacionais em grupo.
Para os filhos: como contratar o seguro viagem dos pais
Muitas vezes, quem pesquisa o seguro é o filho, e quem viaja é o pai ou a mãe. Se for o seu caso, três cuidados fazem diferença:
- Preencha a declaração de saúde junto com eles, com a lista de remédios na mão. Um esquecimento aqui pode virar problema lá fora.
- Combine com o médico deles uma consulta antes da viagem, de 4 a 8 semanas antes, como sugere o Ministério da Saúde, e peça um relatório com as doenças e os remédios em uso.
- Fique com uma cópia de tudo: apólice, número da central, roteiro e hotéis. Se algo acontecer, você consegue acionar o seguro daqui do Brasil.
Se os seus pais estão escolhendo a primeira grande viagem, o nosso guia de pacotes de viagem para a terceira idade explica como escolher roteiro, grupo e agência.
Checklist do seguro viagem para quem tem 60+
- Regra de entrada de cada país do roteiro conferida.
- Despesas médicas de pelo menos 30 mil euros para a Europa, com folga para o câmbio.
- Regresso sanitário, traslado médico e traslado de corpo incluídos.
- Declaração de saúde completa, com todas as doenças e cirurgias.
- Lista de exclusões lida, sem surpresa sobre a sua saúde.
- Validade do primeiro ao último dia, incluindo os dias de voo.
- Certificado impresso em inglês ou espanhol e uma cópia no celular.
- Número da central 24 horas salvo no celular e anotado na carteira.
- CDAM pedido, se o roteiro passa por Portugal ou pela Itália.
- Cópia da apólice com um familiar no Brasil.
Perguntas frequentes
Existe seguro viagem para idosos acima de 80 anos?
Existe, mas as condições variam muito: cada seguradora define até que idade aceita, o valor máximo de cobertura e se pede relatório médico. Cote assim que decidir a viagem, para ter tempo de comparar e de resolver qualquer pendência antes do embarque.
Preciso de seguro viagem em viagem nacional?
Não é obrigatório. Dentro do Brasil, o SUS atende todo mundo, e o plano de saúde de cobertura nacional também vale. O seguro viagem nacional pode ajudar em despesas que o plano não cobre, como a volta para casa com acompanhamento médico, a bagagem e o cancelamento da viagem. Confira a área de cobertura do seu plano antes de decidir.
O seguro viagem é obrigatório na Turquia?
A página oficial do governo turco sobre vistos não inclui o seguro entre as exigências para o turista brasileiro, que entra sem visto para até 90 dias. Ainda assim, vá com ele: o Itamaraty recomenda o seguro mesmo onde não é exigido, e o roteiro costuma ter longos trechos de estrada e passeios como o de balão na Capadócia.
Quem tem marca-passo ou fez cirurgia recente pode ter seguro viagem?
O que define a cobertura é a declaração. Pela regra da SUSEP, a condição declarada na proposta só fica de fora se estiver escrita na apólice como exclusão. Converse antes com o seu médico sobre a viagem, leve um relatório em inglês e confira na apólice como fica a cobertura de uma crise ligada à sua condição.
Quer viajar com o seguro certo para a sua idade e o seu destino?
A Mil Voos é especialista em viagens para quem tem 50+. Com a gente você contrata o seguro viagem junto com a viagem, e a Amanda tira as suas dúvidas pelo WhatsApp, antes, durante e depois.
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