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Quem toma remédio todos os dias costuma ter a mesma dúvida antes de viajar para fora do país: posso levar meus remédios na bagagem de mão? E o xarope, o colírio, a insulina? Precisa de receita em inglês? Com um pouco de preparo, dá para viajar com tranquilidade.
Reunimos aqui o que dizem a ANAC, a Anvisa, o Ministério da Saúde e órgãos oficiais de outros países. No fim, há um modelo de declaração em inglês para levar ao seu médico. Este texto não substitui a orientação médica: quem define a quantidade e os horários dos seus remédios é o seu médico.
Posso levar remédios na bagagem de mão em voo internacional?
Sim. Os remédios podem ir na bagagem de mão, e é lá que eles devem ficar. A regra especial vale para os líquidos (xarope, colírio, spray, insulina), explicada logo abaixo. Para comprimidos e cápsulas, o cuidado é levar tudo na caixa original e com a receita.
O Ministério da Saúde orienta combinar com o médico o que levar e em que quantidade, e guardar os remédios como o fabricante indica, com a caixa e a bula originais. O CDC, órgão de saúde do governo dos Estados Unidos, reforça: todos os remédios na bagagem de mão, e não na despachada. A mala despachada pode atrasar ou se extraviar.

Veja onde levar cada tipo de remédio:
| Tipo de remédio | Onde levar | O que ter em mãos |
|---|---|---|
| Comprimidos e cápsulas de uso contínuo | Bagagem de mão, na caixa original, com a bula | Receita e declaração do médico em inglês |
| Colírio, spray e xarope de até 100 ml | Bagagem de mão, no saco transparente de até 1 litro, com os outros líquidos | Receita, se preferir apresentá-los à parte |
| Xarope e outros líquidos acima de 100 ml | Na mão, só a quantidade para o voo e as escalas; o restante na mala despachada, bem embalado | Receita (física ou digital), mostrada na inspeção |
| Insulina, canetas, seringas e agulhas | Sempre na bagagem de mão, em bolsa térmica | Receita e declaração do médico explicando o uso |
| Remédios controlados (tarja preta ou com retenção de receita) | Bagagem de mão, na caixa original, só a quantidade da viagem | Receita ou cópia, declaração em inglês e a regra do país de destino |
Para as regras gerais das malas, veja o nosso guia tudo sobre bagagem de mão e bagagem despachada e a lista do que levar na bagagem de mão.
Líquidos acima de 100 ml: xarope, colírio e insulina
Em voos internacionais, cada frasco de líquido na bagagem de mão pode ter no máximo 100 ml, mesmo que não esteja cheio, e todos vão em um saco plástico transparente de até 1 litro. Os remédios líquidos são exceção: com receita médica, física ou digital, podem passar em volume maior, na quantidade necessária para o voo e as escalas.
É o que diz a ANAC, na página sobre líquidos em voos internacionais. Na prática:
- Mostre os remédios na inspeção de segurança, separados do resto da bagagem, com a receita à mão.
- Você pode pedir inspeção sem raio-X e sem detector de metais. Avise o agente antes de começar e entregue os remédios à parte.
- A regra vale também para voo nacional que embarca na área internacional do aeroporto.
- O frasco grande de reserva vai na mala despachada, bem embalado. Se o remédio não pode faltar, pergunte ao médico se existe a mesma medicação em frasco menor ou em outra forma.
Nas conexões, vale a regra do aeroporto local. Nos Estados Unidos, por exemplo, a TSA aceita remédios líquidos acima de 100 ml em quantidade razoável para a viagem, desde que você avise os agentes na inspeção.
Insulina, seringas e remédios que precisam de geladeira
A insulina viaja sempre com você, nunca na mala despachada. O CDC lembra que o porão do avião pode ficar frio demais para ela e sugere levar os remédios e o material de teste em uma bolsa térmica com gelo em gel.
Seringas, agulhas, canetas e o medidor de glicose vão junto, com a receita e uma declaração do médico explicando por que você precisa deles. Antes do voo, confirme com a companhia aérea como levar a bolsa térmica.
Como levar remédio controlado para fora do Brasil?
Leve o remédio na caixa original, a receita (ou uma cópia) e uma declaração do médico em inglês, só na quantidade da viagem. A regra que mais pesa é a do país onde você vai entrar, que pode ser bem diferente da brasileira. Por isso, confirme com o consulado do país de destino antes de embarcar.
No Brasil, a receita dos remédios de tarja preta e dos de tarja vermelha com retenção fica na farmácia na hora da compra, então você pode não ter mais a original. Na consulta antes da viagem, peça ao médico uma receita nova (ou uma cópia) para levar, junto com a declaração em inglês.
A INCB, órgão da ONU que acompanha os remédios controlados no mundo, resume o que costuma valer: cada país tem a sua regra; a maioria exige receita de um médico habilitado; a receita deve estar traduzida para a língua local (em alguns países, o inglês basta); e muitos não aceitam mais do que 30 a 90 dias de tratamento.
A INCB mantém uma lista com as regras enviadas por cada governo (em inglês), mas ela mesma recomenda confirmar com a embaixada ou o consulado. Inclua na consulta os países de conexão.
Alguns remédios comuns aqui são controlados em outros países
O CDC pede atenção a remédios fortes para dor (como os que têm codeína ou tramadol), calmantes e remédios para dormir (como alprazolam, diazepam e zolpidem) e descongestionantes com pseudoefedrina. Dois exemplos de países com regras próprias:
- Japão: segundo o Ministério da Saúde japonês, remédios com receita entram sem trâmite extra até o equivalente a 1 mês de uso. Acima disso, é preciso pedir uma autorização de importação (o “Yunyu Kakunin-sho”) antes de sair de casa. Remédios proibidos lá não entram de jeito nenhum, e os narcóticos só com autorização pedida antes da viagem. Vai ao Japão? Veja o nosso roteiro completo para a primeira viagem ao Japão.
- Emirados Árabes Unidos: o portal oficial do governo informa que narcóticos, psicotrópicos e outros controlados não entram livremente, e que alguns remédios exigem autorização do Ministério da Saúde local, pedida pela internet. Os demais remédios com receita entram em quantidade normal para uso pessoal.
Precisa de receita em inglês?
Não é exigida em todo lugar, mas ajuda muito e evita mal-entendidos na imigração e na alfândega. Uma declaração do médico em inglês, junto com a receita em português, resolve a maior parte das situações.
O Ministério da Saúde também sugere levar seus dados de saúde em português e em inglês: contatos, tipo sanguíneo, alergias e doenças que pedem atenção, como diabetes. E o CDC recomenda que a declaração traga cada remédio com o nome genérico (o princípio ativo), a dose e para que serve. O nome comercial muda de um país para outro; o princípio ativo é entendido em qualquer lugar.

Modelo de declaração médica em inglês
Copie o texto abaixo, preencha os seus dados nos campos entre colchetes e leve ao seu médico. Quem confere, completa, assina e carimba é ele, e ele pode ajustar o texto como achar melhor.
MEDICAL CERTIFICATE FOR INTERNATIONAL TRAVEL I certify that my patient [full name, as in the passport], born on [date of birth], passport number [passport number], is under my medical care and needs the medicines listed below for personal use during an international trip from [departure date] to [return date], to [countries of destination and connection]. Medicine 1: [generic name / active ingredient] Brand name in Brazil: [brand name] Strength and form: [e.g. 50 mg tablets] Dose: [e.g. 1 tablet twice a day] Total quantity carried: [e.g. 60 tablets] Medicine 2: [same fields as above] Medical supplies (if any): [e.g. syringes, insulin pen needles, glucose meter] Storage (if any): [e.g. keep refrigerated, do not freeze] Physician: [full name] Medical license: CRM [number] / [state], Brazil Address and phone: [address, phone with +55] Date: [date] Signature and stamp: ______________________
Leve a declaração impressa junto com a receita em português e guarde uma foto das duas no celular. Se o destino exigir formulário ou autorização próprios, como no Japão e nos Emirados para alguns remédios, a declaração não substitui esse documento.
Quanto remédio levar e como acertar os horários com o fuso?
Leve o suficiente para todos os dias da viagem e mais alguns dias de folga, para o caso de atraso ou cancelamento de voo. Os horários no destino, com o fuso diferente, devem ser combinados com o seu médico antes de embarcar.
A folga é para imprevistos, não para fazer estoque: muitos países limitam a quantidade, como vimos acima.
Na Europa, a diferença para o horário de Brasília costuma ficar entre 3 e 6 horas a mais, conforme o país e a época do ano. Na Turquia, são 6 horas a mais, e no Japão, 12. Para remédios de horário certo, peça ao médico um plano por escrito: “no Brasil tomo às 8h e às 20h; no destino, às ___ e às ___; no dia do voo, faço assim”.
- No destino, os alarmes do celular passam a tocar pela hora local: programe-os com os horários combinados com o médico.
- Um porta-comprimidos com os dias da semana mostra de relance se a dose do dia já foi tomada.
- Deixe as doses do dia do voo na bolsa que fica com você no assento, e não na mala do compartimento de cima.
Nas viagens em grupo com guia, a programação de cada dia é conhecida com antecedência, o que facilita encaixar os horários dos remédios, e a equipe ajuda você a se organizar com eles. Antes do embarque, a Amanda orienta cada viajante sobre a documentação. Veja como funciona no nosso guia de viagens internacionais em grupo.
Checklist de remédios antes de embarcar
- Consulta com o médico de 4 a 8 semanas antes da viagem, como sugere o Ministério da Saúde.
- Receita atualizada, com o seu nome igual ao do passaporte, e uma foto dela no celular.
- Declaração em inglês preenchida, assinada e carimbada pelo médico.
- Remédios na caixa original, com a bula, todos na bagagem de mão.
- Quantidade para a viagem inteira, mais alguns dias de folga.
- Líquidos acima de 100 ml separados, com a receita, para mostrar na inspeção.
- Insulina e remédios de geladeira em bolsa térmica, sempre com você.
- Regra do país de destino e das conexões conferida no consulado, principalmente para remédios controlados.
- Plano de horários com o fuso, combinado com o médico, e alarmes no celular.
- Cartão com alergias e doenças em português e em inglês, na carteira.
Perguntas frequentes
A receita pode ficar só no celular?
Na inspeção de segurança do Brasil, a ANAC aceita receita física ou digital para os remédios líquidos. Mesmo assim, leve também cópias impressas, para não depender do celular na imigração de outro país.
E se eu perder os remédios durante a viagem?
Procure a assistência do seu seguro viagem ou um médico no local. Com a receita e a declaração, que trazem o nome genérico e a dose, fica mais fácil para o médico de lá indicar um equivalente. Por isso, guarde esses papéis separados dos remédios.
Na volta para o Brasil, tem alguma regra?
Os remédios que você levou para uso próprio voltam com você. Pelas regras de bagagem da Anvisa, a quantidade precisa ser compatível com o seu tratamento; se não for, a fiscalização pode pedir a receita. Para os controlados, tenha a receita à mão também na volta.
Vamos planejar uma viagem tranquila, do embarque à volta?
A Mil Voos é especialista em viagens para quem tem 50+. Antes do embarque, a Amanda orienta você sobre a documentação, e nas viagens em grupo com guia a equipe acompanha o ritmo de cada dia.
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