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Este roteiro Bolívia 10 dias foi montado para quem tem 50+ e quer ver o essencial do país sem passar mal com a altitude: começa em Santa Cruz, a 400 metros, descansa três noites em Sucre, a 2.800 metros, sobe para La Paz e Tiwanaku e termina no Salar de Uyuni. São 9 noites, com os trechos longos feitos de avião, e um dia de folga embutido para imprevistos de estrada.
A ordem das cidades segue o que explicamos no guia cultura da Bolívia: tradições, festas, comida típica e onde ver tudo isso: subir aos poucos. Abaixo estão o resumo do roteiro, o dia a dia com tempos, esforço e onde descansar, e as versões de 7 e de 12 dias.
Resumo do roteiro Bolívia 10 dias
| Dia | Pernoite (altitude) | Destaques | Ritmo |
|---|---|---|---|
| 1 | Santa Cruz (400 m) | Chegada, Praça 24 de Setembro e catedral | Leve |
| 2 | Sucre (2.800 m) | Voo de cerca de 1 hora, tarde livre no centro | Leve |
| 3 | Sucre | Centro histórico, Casa da Liberdade, mirante da Recoleta | Moderado |
| 4 | Sucre | Feira de Tarabuco (domingo) ou pegadas de dinossauro | Leve a moderado |
| 5 | La Paz (3.600 m) | Voo, descanso, Mercado das Bruxas | Leve |
| 6 | La Paz | Teleférico, centro histórico, Vale da Lua | Moderado |
| 7 | La Paz | Tiwanaku | Moderado |
| 8 | Uyuni (3.650 m) | Voo cedo e passeio de um dia pelo salar | Puxado |
| 9 | La Paz | Cemitério de trens, voo de volta, folga | Leve |
| 10 | Partida | Voo para o Brasil | Leve |
Por que esta ordem e quantas noites em cada cidade?
A ordem foi pensada para a altitude. O CDC recomenda não passar de 2.750 m no mesmo dia em que se sai de um lugar baixo e, depois disso, subir a altitude onde se dorme aos poucos. Sucre, a 2.800 m, fica bem nesse limite e funciona como degrau antes de La Paz.
- Santa Cruz, 1 noite: é a porta de entrada mais baixa do país e evita pousar direto em El Alto, a 4.060 m.
- Sucre, 3 noites: o corpo se adapta em uma cidade plana, de clima ameno, com muito para ver a pé.
- La Paz, 3 noites mais 1 na volta de Uyuni: a primeira tarde é só de descanso, e Tiwanaku fica para quando o corpo já se acostumou.
- Uyuni, 1 noite: o passeio de um dia pelo salar e a volta para La Paz, sem as travessias de três dias que dormem acima de 4.000 m.
Os trechos entre as cidades são de avião, com voos de cerca de 1 hora. Por terra, Sucre a La Paz leva a noite inteira de ônibus, e o governo britânico avisa, em 2026, sobre falta de combustível, bloqueios de estrada e acidentes frequentes com ônibus de longa distância. Mesmo de avião, vale deixar a folga do dia 9.
Roteiro de 10 dias, dia a dia
Dia 1: chegada a Santa Cruz e a praça central sem pressa
O voo do Brasil chega ao aeroporto de Viru Viru, a cerca de 17 km do centro, uns 30 a 40 minutos de carro. Depois do check-in, descanse: Santa Cruz é quente e úmida quase o ano todo, e o primeiro dia é para se recuperar da viagem. No fim da tarde, quando o calor diminui, caminhe pela Praça 24 de Setembro, plana, com bancos na sombra das árvores e a catedral de tijolos de um dos lados. A torre da catedral tem um mirante sobre a praça; a subida é por escada, então fica a critério de quem tem joelho bom.
À noite, prove a comida do oriente boliviano: o majadito, arroz com carne seca e ovo frito, e o cuñapé, o pão de queijo local, em um restaurante da região da praça. Se o cansaço for grande, peça a refeição no hotel. Durma cedo, porque o voo para Sucre costuma ser pela manhã.

Dia 2: voo para Sucre e primeira tarde na cidade branca
Pela manhã, voo de cerca de 1 hora até Sucre. O aeroporto fica a uns 30 km da cidade, cerca de 40 minutos de carro. Aqui começa a altitude: 2.800 m. A maioria das pessoas sente pouco, talvez um leve cansaço ao subir uma ladeira, mas o dia deve ser tranquilo mesmo que você se sinta bem.
Depois do almoço, um passeio de 1 a 2 horas pela Praça 25 de Maio, o coração do centro histórico, que é plana e cheia de bancos. Em volta estão a catedral e os casarões brancos que deram a Sucre o título de Patrimônio Mundial da Unesco. Entre numa das lojas de chocolate da cidade, uma tradição local, e volte ao hotel para descansar antes do jantar. Prefira uma sopa à noite e beba bastante água. Alternativa mais leve: ficar só no hotel e na praça.
Dia 3: centro histórico de Sucre, Casa da Liberdade e a Recoleta
Comece às 9h na Casa da Liberdade, na própria praça, onde foi assinada a independência da Bolívia em 1825. A visita guiada leva cerca de 1 hora, num casarão térreo com pátio, sem escadas difíceis. Depois, caminhe por duas ou três quadras planas até a Igreja de São Felipe Néri, cujo terraço no telhado tem uma das vistas mais bonitas da cidade (a subida é por escada estreita; quem preferir pode ficar no claustro).
Almoce cedo no Mercado Central, que tem bancas de sucos e pratos do dia; para os mais cautelosos, um restaurante de comida boliviana na região da praça. O chorizo chuquisaqueño, a linguiça da região, é o prato típico. À tarde, vá de táxi (10 minutos) até o mirante da Recoleta, no alto da cidade, em vez de subir a pé a ladeira íngreme. O mirante tem arcadas com sombra, bancos e um café com vista para os telhados brancos, o melhor lugar para ver o pôr do sol. Volte de táxi e jante perto do hotel.
Dia 4: feira de Tarabuco ou as pegadas de dinossauro
Se o dia 4 cair num domingo, vá à feira de Tarabuco, a cerca de 65 km de Sucre, 1h30 de estrada. É a feira do povo yampara, com tecidos feitos à mão, mantas e ponchos, e moradores com os trajes tradicionais. Em março, é ali que acontece o Pujllay, festa da colheita reconhecida pela Unesco. Tarabuco fica a cerca de 3.200 m, um pouco acima de Sucre, o que serve como um bom treino para La Paz. O passeio leva a manhã inteira e o terreno é plano, mas a feira fica cheia: segure a bolsa na frente do corpo.
Em outros dias da semana, a alternativa é o Parque Cretácico, a uns 5 km do centro, onde um paredão de calcário guarda milhares de pegadas de dinossauro. A visita leva de 1h30 a 2 horas, com trechos ao sol; há passarelas e um mirante a partir do qual dá para ver as pegadas sem descer até a parede. Volte para almoçar no centro e deixe a tarde livre para descansar, porque amanhã você sobe para La Paz. Arrume a mala à noite.

Dia 5: voo para La Paz e uma tarde só de descanso
O voo de Sucre a La Paz leva cerca de 1 hora e pousa em El Alto, a 4.060 m. Desça devagar do avião, sem pressa com a mala, e siga de carro para o hotel, uns 30 a 40 minutos de descida até a cidade, a 3.600 m. A diferença de Sucre para La Paz é de cerca de 800 m, mais do que os 500 m por noite que o CDC sugere. Por isso, este dia não tem passeio: almoço leve, cochilo e muita água. Converse antes da viagem com seu médico sobre remédio preventivo para o mal da altitude.
No fim da tarde, se estiver bem, caminhe por 30 a 40 minutos pela rua Sagárnaga e pelo Mercado das Bruxas, na região da Igreja de São Francisco, com lojas de tecidos, ervas e amuletos para a Pachamama. As ruas são em ladeira: ande devagar, pare quando sentir falta de ar e volte de táxi se cansar. Jante no hotel, de preferência uma sopa, e evite álcool, como orienta o CDC nas primeiras 48 horas. O mate de coca, servido em muitos hotéis, é comum aqui, mas não pode ser trazido para o Brasil.
Dia 6: teleférico, centro histórico e o Vale da Lua
La Paz tem uma rede de teleféricos usada como transporte público, que é também o melhor jeito de ver a cidade sem subir ladeira. De manhã, pegue uma das linhas que sobem para os mirantes (a viagem leva de 10 a 20 minutos, sentado, em cabine fechada) e veja o vale da cidade com o Illimani nevado ao fundo. Evite ficar muito tempo em El Alto, a 4.000 m, nestes primeiros dias.
Depois, siga de carro até a Praça Murillo, com o palácio do governo e a catedral, e a rua Jaén, uma rua colonial curta com pequenos museus. O trecho a pé é de cerca de 1 hora, com subidas leves. Almoce uma salteña ou um prato do dia num restaurante do centro. À tarde, vá de carro ao Vale da Lua, a uns 10 km, na zona sul, mais baixa que o centro: são formações de argila com trilhas de 15 a 45 minutos; a mais curta é plana e tem corrimão em parte do caminho. Volte para o hotel no fim da tarde. À noite, se a disposição permitir, uma peña com música andina ao vivo; se não, descanso.

Dia 7: Tiwanaku, a cidade anterior aos incas
Saia às 8h com motorista e guia para Tiwanaku, a cerca de 70 km, 1h30 a 2 horas de estrada pelo altiplano. O sítio fica a 3.850 m, um pouco acima de La Paz, e foi o centro de uma civilização que dominou o sul dos Andes séculos antes dos incas.
A visita leva de 3 a 4 horas: os dois museus (comece por eles, que têm banheiro e sombra) e depois o sítio aberto, com a pirâmide de Akapana, o templo de Kalasasaya, a Porta do Sol e o templo semissubterrâneo com as cabeças de pedra. O terreno é plano, de terra e grama, sem nenhuma sombra: chapéu, protetor solar, casaco (o vento é frio mesmo com sol) e passos curtos. Não é preciso subir a pirâmide para entender o lugar. Almoce num restaurante simples da vila, com truta do Titicaca ou sopa de quinoa, e volte para La Paz no meio da tarde. Noite livre e mala pronta, porque o voo para Uyuni sai cedo.
Dia 8: Salar de Uyuni em um dia
Voo cedo de La Paz a Uyuni, cerca de 1 hora. A cidade fica a 3.650 m, praticamente a mesma altitude de La Paz, por isso o corpo já está pronto. O passeio de um dia pelo salar é feito em 4×4 com motorista e dura de 7 a 9 horas, com paradas a cada 30 a 60 minutos. Na época seca, o roteiro costuma incluir Colchani, a vila onde o sal é seco e embalado, a parte branca do salar para as fotos e a Ilha Incahuasi, coberta de cactos gigantes. A trilha da ilha sobe por degraus de pedra até o topo; dá para ficar na base, no café, se a respiração pedir.
O almoço costuma ser servido no próprio salar, em mesas de sal, e não há banheiro na maior parte do caminho, só nos pontos de parada. Leve óculos escuros, que são indispensáveis pelo reflexo do branco, protetor, chapéu e um casaco grosso para o pôr do sol, quando a temperatura cai rápido. Entre janeiro e março, a água da chuva cria o efeito espelho, mas a Ilha Incahuasi pode ficar inacessível. Durma em Uyuni, num hotel com aquecimento.

Dia 9: cemitério de trens e volta a La Paz
Manhã sem pressa. Depois do café, um passeio curto de carro até o Cemitério de Trens, a cerca de 3 km da cidade, com locomotivas do início do século 20 abandonadas no deserto. A visita leva uns 40 minutos, em terreno plano e aberto, com vento. Na volta, passe pela feira e pelas lojas da rua principal de Uyuni para comprar artesanato de lã de lhama e alpaca.
À tarde, voo de volta para La Paz, cerca de 1 hora. Este é o dia de folga do roteiro: se um voo atrasar, se houver bloqueio no caminho do aeroporto ou se o cansaço pedir, nada se perde. Se tudo correr bem, aproveite a noite para um jantar de despedida, com o plato paceño (milho, fava, batata e queijo frito) ou uma truta. Deixe os documentos e a mala organizados para o voo de amanhã, e confira que nenhuma folha ou chá de coca foi parar na bagagem.
Dia 10: voo de volta para o Brasil
Saia para o aeroporto de El Alto com antecedência: o trajeto leva de 30 a 40 minutos em dia normal, mas manifestações podem bloquear as vias de acesso sem aviso, como alerta o governo britânico. Chegue cedo também porque, segundo a mesma fonte, a polícia antidrogas revista a bagagem de mão e a despachada de todos os passageiros em voos internacionais que saem da Bolívia, inclusive com cães farejadores. Nunca carregue volume de outra pessoa.
Se o seu voo de volta sair de Santa Cruz, faça o trecho La Paz a Santa Cruz de avião, cerca de 1 hora, e desça para os 400 m, o que costuma trazer alívio imediato a quem sentiu a altitude. Beba água durante o voo, use roupas confortáveis e, para voos longos, siga as orientações do seu médico sobre meias de compressão e movimentação das pernas. Em casa, guarde um dia de descanso antes de voltar à rotina.
Como encurtar para 7 dias ou alongar para 12
Em 7 dias, tire Uyuni: Santa Cruz 1 noite, Sucre 3 e La Paz 2, com Tiwanaku no último dia inteiro. Juntar Uyuni em 7 dias obriga a subir rápido demais e a pegar três voos seguidos, o que não recomendamos para quem tem 50+.
Em 12 dias, entra o Lago Titicaca, que neste roteiro de 10 dias fica de fora. Depois de Tiwanaku, siga de carro para Copacabana, cerca de 3h30 a 4 horas com a travessia de balsa do estreito de Tiquina, e durma 2 noites à beira do lago, a 3.810 m: uma tarde para a basílica e a orla, e um dia de barco até a Ilha do Sol, cuja escadaria inca é íngreme e pode ser vista do barco por quem não quiser subir. O governo britânico recomenda transporte direto entre Copacabana e La Paz, sem trocas no caminho. Em 15 dias, dá para somar Potosí ou Samaipata.
Qual a melhor época para fazer este roteiro?
De maio a outubro, na época seca: as estradas estão melhores, o céu é limpo e o Salar de Uyuni fica branco e acessível, inclusive a Ilha Incahuasi. As noites no altiplano ficam abaixo de zero, então hotel com aquecimento é obrigatório. Abril e maio juntam tempo seco e menos frio.
De novembro a março chove, com risco de deslizamentos e estradas fechadas nas montanhas, segundo o governo britânico. É a época do efeito espelho em Uyuni (janeiro a março) e do Carnaval de Oruro. Quem escolhe esses meses deve contar com mais folgas no roteiro. Na época seca, as queimadas no leste do país podem deixar o ar ruim em Santa Cruz e até em La Paz.
O que reservar com antecedência
- Os voos internos, que têm poucas frequências e lotam, sobretudo o de Uyuni.
- Hotéis com aquecimento em La Paz e em Uyuni, de preferência com oxigênio disponível.
- O passeio de um dia pelo salar com 4×4 em bom estado e motorista experiente. O governo britânico avisa que não há padrão oficial mínimo para essas empresas.
- Motorista e guia para Tiwanaku e para os traslados de aeroporto.
- O seguro viagem com cobertura médica e de remoção. Veja o que conferir em seguro viagem para idosos.
Antes de tudo, a consulta médica: o certificado de vacina de febre amarela é exigido de todos os viajantes acima de 1 ano, segundo a página da Bolívia do CDC, e para quem tem 60 anos ou mais a vacina depende de avaliação médica. Leve também todos os remédios de uso contínuo com receita, porque há falta de alguns medicamentos no país.
Ficha Mil Voos 50+: roteiro Bolívia 10 dias
O essencial para decidir com tranquilidade.
| Noites por cidade | Santa Cruz 1, Sucre 3, La Paz 3 + 1, Uyuni 1 |
|---|---|
| Altitude máxima onde se dorme | Cerca de 3.650 m (La Paz e Uyuni) |
| Voos internos | 4 trechos de cerca de 1 hora |
| Ritmo de caminhada e terreno | Moderado: ladeiras em La Paz, terreno aberto em Tiwanaku, horas de 4×4 no salar |
| Documentos | RG com menos de 10 anos, CIN ou passaporte; certificado de febre amarela |
| Fuso horário | 1 hora a menos que Brasília |
Perguntas frequentes sobre o roteiro Bolívia 10 dias
10 dias são suficientes para conhecer a Bolívia?
Para Santa Cruz, Sucre, La Paz, Tiwanaku e o Salar de Uyuni, sim, num ritmo calmo. O Lago Titicaca fica de fora; para incluí-lo sem correria, são 12 dias.
É melhor começar o roteiro por La Paz ou por Santa Cruz?
Para quem tem 50+, por Santa Cruz e Sucre. Pousar direto em El Alto, a 4.060 m, é o que mais provoca mal da altitude nos primeiros dias.
Dá para fazer o Salar de Uyuni em um dia só?
Dá, e é o formato mais indicado para quem tem 50+: de 7 a 9 horas de 4×4, com volta para dormir em Uyuni. As travessias de três dias até o Chile passam dos 4.500 m e dormem em abrigos simples.
Posso fazer o roteiro de ônibus?
Não recomendamos. Os trechos são de muitas horas, há falta de combustível e bloqueios em 2026, e o governo britânico alerta para acidentes frequentes com ônibus de longa distância. Os voos internos poupam dias e cansaço.
Quer adaptar este roteiro Bolívia 10 dias ao seu ritmo, incluir o Titicaca ou uma festa como o Carnaval de Oruro? Veja antes o guia completo da cultura da Bolívia e os motivos para conhecer o Salar de Uyuni, e fale com a gente.
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